Quarta-feira, 20 de Agosto de 2008



Amargo Regresso


Frida caminhava a passos firmes tendo Kyle O'Neil ao seu lado. O rapaz estava com as mãos praticamente enterradas nos bolsos da calça jeans que usava. Ele caminhava cabisbaixo, tentando não fitar a mulher ao seu lado, concentrando quase toda a atenção para os tênis de lona vermelhos que usava.

-Você não precisa falar com ela - Frida repetiu - Eu prometi a você que só falaria com sua mãe quando desejasse, mas ela atravessou um continente inteiro para saber como você está. O mínimo que eu poderia fazer era permitir que ela o visse.

Kyle assentiu em um pequeno resmungo. Ele compreendia as razões de Frida, ainda assim, não queria ver Cassandra...ou melhor, Lucy. Kyle reconhecia que estava sendo infantil e egoísta, mas ele se sentia tão ferido, tão machucado e enganado que se via compelido a ferir a mãe do mesmo modo. Era algo que estava além do controle dele.

Os dois pararam em um parque, próximo da Ponte de Londres. Os olhos verdes de Kyle recaíram imediatamente sobre uma mulher que estava encostada na amurada. Mesmo com o clima ameno, ela abraçava o próprio corpo. Ela ainda tinha os mesmos cabelos negros e orbes azuis que ele conhecia desde a tenra infância. Olhos que agora o observavam com um misto de ansiedade, alívio e culpa.

Por um ínfimo momento, ele se sentiu compelido a abraçar a mãe, mas não foi capaz de cruzar a distância que os separava. Ao invés disso, sentou-se no banco que Frida lhe indicara, evitando olhar para onde Lucy se encontrava.

A polonesa caminhou a passos firmes em direção à outra mulher. Olheiras escuras eram visíveis sob os olhos de Lucy. Ela provavelmente não tinha uma noite de sono decente desde que o filho desaparecera da Grécia.

-Olá, Lucy - Frida cumprimentou.

-Obrigada por vir - ela balbuciou.

-Você viajou muito para chegar aqui, eu não poderia ter feito menos do que vir vê-la - a loira respondeu, de modo suave.

Lucy deu um meio sorriso em agradecimento.

-Ele me odeia, não é? - ela perguntou, sem esconder a melancolia na entonação.

Frida aproximou-se da outra, segurando a mão da morena, tentando, assim, conforta-la.

-Ele não te odeia, Lucy. Apenas são coisas demais para Kyle assimilar em tão pouco tempo. Ele vai acabar descobrindo por si só quem realmente é Ludovic e os motivos que levaram você a mentir e protege-lo.

Lucy meneou a cabeça, abaixando o rosto, olhando em direção às águas escuras do Tamisa.

-Eu fui mais egoísta do que você supõe, Frida - ela disse, pesarosa - Parte de mim mentiu simplesmente porque ser Cassandra O'Neil era menos doloroso que ser Lucy Reinfield. Eu posso ter mentido para proteger Kyle, mas também fiz isso para salvaguardar a mim mesma.

A polonesa abaixou o rosto, se lembrando de uma noite, muitos anos atrás, quando era ela o objeto de obsessão do ex-cunhado. O modo como ele a emboscara e a atacara, refreando-se de toma-la para si apenas porque desejava provar a Frida que a "amava". Ela ainda sentia ânsias ao lembrar do fato, mesmo depois de todos aqueles anos, apesar de todas as lembranças sombrias que o passado dela guardava. Poderia ser ela e não Lucy a estar parada naquele parque, remoendo o período que estivera sob o jugo do ruivo.

-Eu não a culpo - a polonesa disse - eu realmente não a culpo, Lucy. Eu sei do que Ludovic é capaz, e, se fosse eu no seu lugar, talvez eu tentasse também apagar a minha vida e inventar outra nova para mim. Uma em que a perfídia daquele homem nunca tocou.

A morena finalmente levantou o rosto, voltando a encarar Frida, com uma expressão mais leve e também grata.

-Sabe...foi aqui que ele capturou Elizabeth... - Lucy retomou a palavra - Por isso marquei o encontro neste local. Eu queria...queria...não sei...talvez enfrentar um pouco do meu passado, dos erros que ele me forçou a cometer... Precisava fazer isso pelo meu filho. Eu amo Kyle, mesmo não amando o pai dele. Foi a única coisa boa que Ludovic me deu, e, por meu filho, eu passaria por todo aquele inferno novamente.

Frida assentiu, levando inconscientemente a mão no próprio ventre. Ela compreendia plenamente as palavras de Lucy, pois, pelo bebê que trazia dentro de si, ela seria capaz de qualquer sacrifício...e também por Meridiana, a quem aprendera a amar como uma filha...e sabia que, algum dia, sentiria o mesmo pela filha de Kamus.

Contudo, o que mais impressionara à Frida era a determinação escondida sob as trêmulas palavras de Lucy. Havia muito mais sob a casca de fragilidade que a morena mostrava. Uma força que parecia estar dormente sob camadas de medo e culpa. Entretanto, Lucy sobrevivera a Ludovic, recomeçara a vida dela, e, aquilo já bastava para saber o quão forte ela era.

-Eu não vou embora da Inglaterra sem Kyle - Lucy disse, depois de alguns minutos de silêncio.

-Eu sei disso - Frida concordou - Mas, levá-lo embora agora, contra a vontade dele, será bem pior. A minha recomendação é você ficar aqui na Inglaterra, até as coisas se assentarem.

A polonesa abriu a bolsa, retirando de lá um bloco de anotações, onde ela rabiscou um nome e um endereço.

-Basta que você procure Jack Mercury.

-Jack Mercury? - Lucy levantou a sobrancelha, ligeiramente surpresa. Ela conhecera muito brevemente o homem antes de sair em exílio. - O amigo trouxa de Nicholas Johnson?

Frida anuiu.

-Desde a morte de Nick, ele tem me auxiliado a abrigar e encaminhar pessoas que desejem "viajar para fora do país" sem passarem pela burocracia do Ministério. Meios trouxas são um modo interessante de burlar os seguidores do Lorde, pois eles os desprezam. Jack tem um sobrinho bruxo, amigo de Meridiana.

- A menina de Betsy - a morena falou, assentindo ao mesmo tempo que percebia a urgência de sanar aquela dúvida - Vocês a encontraram? Ela está bem?

-Está, dentro do possível. - Frida respondeu, percebendo um suspiro aliviado escapar pelos lábios de Lucy - No momento, estão buscando ela no hospital e levando para meu apartamento.

-Então você precisa ir, não é? - ela perguntou, pousando o olhar no filho, que continuava sentado no banco, cabisbaixo.

Frida olhou na mesma direção que a outra mulher.

-Eu vou apresenta-la a Kyle hoje. Ela ainda não sabe...mas, conheço minha sobrinha, não creio que ela vá rechaçar o primo por causa de Ludovic. E, talvez, conversar com Meridiana possa ajuda-lo a compreender o que você passou, Lucy.

Lucy assentiu, agradecendo a outra por toda a ajuda e despedindo-se. Enquanto a polonesa se afastava mais e mais tendo o Kyle ao seu lado, a morena, sem despregar os olhos dos dois, apertou com força, entre os dedos, o papel com o endereço de Mercury que Frida lhe entregara, pensando consigo que estava de volta ao país que jurara jamais retornar.

Ela percebeu que não havia como escapar do passado que tanto negara. Apesar de todo o medo que sentia, não tinha mais escolha a não ser enfrenta-lo. Por Kyle, e quem sabe por ela própria.

Expresso Hogwarts no Top 3 do Potterbest


O Expresso Hogwarts ficou em terceiro lugar na categoria "Fanfic" do Potterbest. Ficamos imensamente agradecidos pelo reconhecimento, tanto da "Academia Potterbest" quanto de vocês, leitores, que nos possibilitaram esse prêmio. Muito obrigada pelo carinho e consideração!











Segunda-feira, 18 de Agosto de 2008



Not Alone*


Parada na bifurcação que ligava o corredor à sala de estar, Adhara observava quietamente Meridiana despedir-se do namorado à porta de entrada. A ruivinha havia tido alta do St. Mungus naquela manhã e acabado de chegar ao apartamento de Frida.

Kamus Ivory estava ocupado no ministério, como sempre, e Frida tivera que sair com Kyle naquela manhã para resolver alguns assuntos, fato pelo qual Adhara até sentia-se grata. A prima ainda não sabia nada sobre o filho de Ludovic, e a sonserina acreditava que seria melhor ter Meridiana já tranqüila e instalada antes de tratarem de um assunto assim tão delicado.

Estando os adultos todos ocupados, Adhara foi designada para ir buscar Meridiana no hospital, bem como entregar à garota o pergaminho escrito do pulso de Kamus, no qual ele revelava a localização do apartamento.

Havia pego o metrô trouxa para ir até o St. Mungus, e acabaram voltando pela mesma condução, visto que o único entre eles que tinha licença para aparatar era Lucien. O lufano havia se oferecido para acompanhá-las.

Na verdade, agora que parava para pensar, Adhara constatava que o rapaz estivera ao lado de Meridiana em todas as vezes que a visitara no hospital. Ele parecia ser extremamente dedicado à ruiva.

E a adoração de Meridiana pelo namorado também era palpável nos olhos esmeraldinos da moça. Ambos pareciam estar em uma sintonia mais que perfeita aos desejos do outro, até pareciam ser um casal há muito mais tempo do que verdadeiramente eram.

De longe ela viu Lucien beijar carinhosamente a testa de Meri e abraçá-la pela última vez antes que a ruivinha abrisse a porta para ele.

O austríaco ainda foi cortês o suficiente para acenar para Adhara antes de partir.

A grifinória fechou a porta e virou-se então para a prima, com uma expressão mais serena em sua face, e Adhara sentiu-se intimamente satisfeita em ver como a ruiva melhorara nos últimos dias.

Meridiana fitou a outra jovem, percebendo algo que ela já havia notado no hospital, mas que parecia mais claro agora que estavam completamente sozinhas pela primeira vez desde que ela retornara. A expressão de Adhara era bem mais suave que aquela que Meri guardava em sua memória. Como em todos os demais, os fatos dos últimos meses também se refletiram em sua prima.

- Você mudou. – a ruiva disse, de maneira suave. – Todos mudaram um pouco.

Adhara esboçou um sorriso diante daquilo, reconhecendo que a conclusão de Meri era a mais pura verdade. Realmente, ela sentia-se mudada por dentro... Mais centrada e serena, talvez até mais madura. E ela podia ver um brilho semelhante de mudança impresso no fundo dos olhos de Meri.

Tivera tato o suficiente durante suas visitas à prima no St. Mungus para não mencionar o seqüestro e nem perguntar nada à Meri sobre os dois meses que a ruivinha passara com Ludovic, afinal já conhecia o comensal o suficiente para saber na própria pele que nenhum encontro com ele poderia resultar em uma experiência prazerosa.

Meridiana deveria ter passado pelo maior trauma de sua vida durante aqueles meses, e, com a presença de Kyle ali, algumas revelações um tanto difíceis ocorreriam logo mais... Da parte de Adhara, o que pudesse fazer para distrair a prima e fazer com que a ruivinha se sentisse à vontade antes disso, ela faria.

- Você diz isso porque ainda não viu o meu pai. – a sonserina respondeu, com um tom levemente maroto – Ali sim, a metamorfose foi assombrosa.

Meridiana arqueou a sobrancelha, curiosa. Era verdade que o padrinho foi uma das primeiras pessoas que ela viu depois que conseguiu escapar, mas, não notara uma mudança tão drástica quanto Adhara deixava a entender.

- Como assim? – ela perguntou, afastando-se da porta, caminhando em direção à prima, e parando diante da morena com os braços cruzados.

Adhara encarou a outra garota com benevolência.

- Vamos comer alguma coisa e eu te conto as novidades. – disse ela, chamando a prima para segui-la até a cozinha.

Meri sentou-se na ponta da mesa, observando a desenvoltura com que Adhara abria a geladeira e separava os ingredientes que ela supunha seriam usados como recheios de sanduíches. Era surpreendente imaginar que, cerca de alguns meses atrás, aquela mesma garota mal sabia como segurar uma faca para cortar legumes e chegara a perguntar como se "media o tamanho" que se desejava cortar.

Realmente, as coisas haviam mudado muito mais do que poderia imaginar.

Depois de praticamente esvaziar toda a geladeira, Adhara sentou-se defronte a Meri, abrindo um pacote de pão e depositando-o no prato da ruiva.

- E então? – Meridiana perguntou novamente – O que você quis dizer quando falou que o Sr. Ivory sofreu uma metamorfose?

A sonserina sorriu levemente enquanto se sentava, apanhando duas fatias de pão e a faca.

- Ah, não é algo que você nota assim, só de olhar. – ela começou a explicar enquanto passava patê no pão – Mas eu tive uma longa conversa com ele depois que cheguei de Edimburgo... – e então apanhou dois tipos de queijo e salame para colocar sobre o pão – E ele parece estar bem mais... Empático. – por fim, ela juntou a segunda fatia e fechou o sanduíche, empurrando o prato na direção da ruiva.

- Empático? – Meridiana repetiu a última palavra da prima tentando imaginar exatamente como o termo poderia ser aplicado ao padrinho, para logo em seguida, dar uma mordida no sanduíche, constatando, que estava realmente delicioso - e não pensava aquilo por ter passado os últimos dias a base de "comida de hospital".

Adhara anuiu, apanhando outras duas fatias de pão para começar a preparar um sanduíche para si própria.

- Ao que tudo indica, ele anda mais apto a ouvir outra pessoa que não seja ele mesmo. – nesse ponto ela levantou seus olhos para a prima – Não me entenda mal, eu gosto do meu pai. Só não gostava da maneira com que ele me tratava às vezes. Como se eu fosse sua subordinada... Ao invés de sua filha.

Meridiana sorriu ante as palavras da prima. Ela não convivera muito com o padrinho, mas, nas poucas vezes que viu Kamus e Adhara juntos, apesar de perceber que ele realmente amava a filha - especialmente durante o incidente do seqüestro da morena -, havia sempre uma formalidade, excessiva na opinião da ruiva, no modo como ele se relacionava com Adhara.

- Fico feliz que as coisas estejam se encaminhando bem entre vocês, Dhara.

A sonserina concordou silenciosamente e as garotas passaram os instantes seguintes apenas saboreando seus respectivos lanches, até que Adhara manifestou-se novamente.

- Mas essa não era exatamente a novidade que eu tinha para te contar. – diante do olhar curioso da ruivinha, ela continuou – O caso é que a sua tia, Frida, e o meu pai estão tendo um "relacionamento", como Kamus Ivory em pessoa escolheu classificar.

- Confesso que havia notado certa "clima" entre eles dois no feriado de Páscoa, mas, ainda assim, é uma notícia surpreendente. – ela respondeu, deixando o sorriso ampliar ainda mais. Como ela pensara na ocasião em que começou a suspeitar do relacionamento dos dois, se Frida estava feliz, ela também estaria.

- E essa ainda nem é a parte mais chocante. – a sonserina retomou a palavra, pegando Meri de surpresa – Frida está grávida. Parece que daqui uns sete meses eu estarei ganhando um irmão ou uma irmã.

Meridiana interrompeu em pleno ar a mordida que iria dar em seu sanduíche, encarando Adhara com os olhos arregalados e a boca parcialmente aberta. Aquilo, de fato, era uma notícia surpreendente. Assim como também era o modo como Adhara estava contando tudo aquilo, quase como se estivesse se divertindo com a situação.

A ruiva simplesmente continuou fitando a prima, incapaz de responder, esperando pela próxima revelação que a morena faria, e esta não demorou a vir:

- Ah, e o meu pai disse que você pode ir morar conosco no casarão, se quiser.

Dessa vez, Meridiana desviou o olhar, colocando o sanduíche de volta no prato, e sentindo-se ligeiramente melancólica. Ela ainda não pensara sobre para onde iria agora que não tinha mais o pai. Evitava pensar qualquer coisa que a lembrasse da morte de Nicholas.

- Eu não quero dar trabalho a vocês. – ela balbuciou sem olhar para a prima.

Life, is getting harder day by day
And I, don't know what to do, what to say, yeah


Adhara suspirou, deixando também seu sanduíche de lado. Talvez não devesse ter tocado naquele assunto... Ainda era cedo demais, Meri ainda deveria estar muito machucada pela morte tão abrupta do pai.

Podia compreender a dor que a prima estava sentindo: a incerteza por ter diante de si um pedaço tão importante de sua vida destruído além de qualquer chance de reparo... Podia até mesmo compreender a necessidade da ruiva de evitar pensar no que aconteceria a partir daquele momento...

And my mind, is growing weak every step I take
So uncontrolable now they think I'm fake, yeah


Porque a própria Adhara estivera fazendo o mesmo desde que se encontrara com Ludovic durante a Páscoa, estivera evitando pensar no assunto. Mas sabia por experiência própria que apenas evitar não faria a dor ou o medo desaparecerem. Pelo contrário, faria com que caíssem como uma enxurrada quando se tornassem insuportáveis demais. E ela não queria que aquilo acontecesse com Meridiana.

- Você esteve na minha casa na última Páscoa, certo? – ela perguntou, com um tom suave – O lugar é enorme, tem montes de quartos que não são usados e os elfos vão ficar deleitados em ter mais gente para quem limpar e cozinhar.

And I, I get on the train on my own
Yeah my tired radio, keeps playing tired songs
And I know, that there's not long to go
When all I wanna do is just go home


Diante da falta de reações da ruivinha, Adhara estendeu uma de suas mãos sobre a mesa até alcançar a mão direita da prima, segurando-a com um aperto firme e, com isso, fazendo Meridiana levantar o rosto para fitá-la de forma um tanto surpresa.

- Você não vai ser um fardo, Meri. – afirmou a morena, usando uma voz segura e até um pouco severa – Você é da família. – completou.

- Obrigada... – ela disse a meio tom, mas com as orbes esmeralda presos aos olhos azuis escuros da prima.

'Cause I'm not alone, no no no
But I'm not alone, no no no no


A ruivinha deixou um sorriso sincero, ainda que levemente melancólico, tomar conta de seu rosto, compreendo o peso do significado das palavras de Adhara. A prima tinha razão. Apesar de tudo o que passara, de tudo o que ela perdera por causa de Ludovic, ela tinha uma família que amava. E saber disso era um bálsamo para as feridas que ainda cicatrizam em sua alma

I'm not alone...


*título e trechos retirados da música homônima do grupo McFly



Sábado, 16 de Agosto de 2008



Revelações - Final


- Para quando é o bebê?

A expressão de Kamus suavizou-se minimamente e ele sentiu-se satisfeito ao notar que a filha estava começando a reagir como deveria às notícias.

- Para o próximo ano. Provavelmente fevereiro.

Adhara anuiu.

- E o que acontece agora? – a garota levantou o rosto para encarar o pai – O senhor vai se casar com ela?

O Auror não pareceu ter uma resposta pronta para aquilo, visto ter gasto alguns segundos em silêncio antes de respondê-la:

- Ainda não discuti esse assunto com Frida. Mas penso em, ao menos, levá-la para morar conosco.

- Meridiana também vem?

Kamus fitou o rosto impassivo da filha, sentindo-se um tanto surpreso às conclusões imediatas que Adhara havia chego. Ele próprio ainda não havia parado para pensar sobre o futuro da menina Johnson, mesmo porque até o dia anterior eles não sabiam se Meridiana teria um futuro ou não.

Mas reconheceu que aquela, sem dúvidas, era uma pergunta bastante pertinente. A garota era completamente órfã agora e os parentes trouxas de Nicholas deixaram claro no enterro do escritor que não queriam ter nada a ver com Meridiana. O único parente vivo dela agora era Ludovic e, por razões mais do que óbvias, ela não poderia ficar com o tio.

Parecia-lhe certo que Frida gostaria de se responsabilizar pela sobrinha até que Meridiana atingisse a maioridade em setembro, mas, da maneira como as coisas estavam se desenvolvendo no ministério, não duvidava que, na falta de alguém mais, as autoridades delegassem a tutela da jovem para o tio.

Porém havia uma outra coisa à qual Kamus não dirigira pensamento até então. Ele era, afinal de contas, o padrinho de Meridiana Johnson. E aquele era um tipo de compromisso de valor extremamente expressivo entre bruxos. Na falta de ambos os pais da garota, era ele a próxima pessoa apta a exercer a guarda, com preferência, inclusive, frente a qualquer parente em linha reta ou colateral.

Ele era agora o responsável por aquela garota... Tanto quanto era responsável por Adhara ou por aquele bebê que iria chegar.

- Caso ela deseje vir morar conosco, – iniciou Kamus – então será bem-vinda entre nós.

A sonserina assentiu. Não podia dizer que a perspectiva de ter a prima morando em sua casa a desagradava. Pelo contrário, Nicholas Johnson havia a recebido em sua casa como parte da família nas poucas vezes em que estivera por lá... E agora que o escritor faltava à filha, parecia que retribuir acolhendo Meri entre eles da mesma forma era apenas a coisa mais justa a se fazer.

- O que você acha de tudo isso, Adhara?

Ela sentiu-se inegavelmente surpresa com a pergunta do pai, e deixou esse sentimento transparecer em seus olhos quando o encarou. Não pensou que realmente teria o direito de opinar em alguma coisa.

Kamus a fitava com atenção e interesse e a garota soube que deveria lhe responder com seriedade, pois uma chance para de fato ser ouvida pelo Auror não era algo oportunizado todos os dias.

- Eu acho que mal conheço a Frida. – respondeu-lhe, sincera – Hoje foi a primeira vez em que conversei a sós com ela e eu não estou pronta para chamá-la de mãe.

Ivory assentiu silenciosamente, ele não podia negar que entendia o ponto de Adhara e realmente concordava que a garota havia tido muito pouco contato com Frida até o momento. Ainda assim, confiava que ambas poderiam chegar a bons termos uma vez que se conhecessem melhor. Ao menos a polonesa já parecia simpatizar e preocupar-se com a garota.

- Eu jamais lhe pediria para fazer isso, Adhara. – ele disse à filha, com a mesma sinceridade que a moça adotou ao falar-lhe – Eu estou, de fato, disposto a receber Frida e o bebê nesta família, mas não vou demandar de você que faça o mesmo. A única coisa que eu lhe peço é que mantenha-se aberta a essa possibilidade, como você também se abriu à Meridiana.

Adhara deixou um pequeno sorriso escapar diante daquilo, sentindo-se aliviada e até grata pela compreensão do pai. E se ele estava realmente disposto a mostrar tanta tolerância, então ela supunha que poderia tentar o mesmo.

- Claro. Isso eu posso fazer. – ela concedeu, parecendo tranqüila diante da possibilidade.

Kamus assentiu, também suavizando sua expressão.

- Então eu acredito que temos um acordo. – disse o Auror.

- Sim, nós temos.

E então houve um daqueles raríssimos momentos em que pai e filha de fato sorriram, como se com isso selassem o pacto. Não passou de um curvar discreto de lábios, mas ainda assim era o suficiente para ambos. E eles apreciaram o restante do chá silenciosamente na companhia um do outro.

Notas: O Instituto de Magia Geldud procura jovens senhoritas que desejem frenquentar essa exclusiva escola de Magia na Holanda. Detalhes no endereço: institutodemagiageldud.blogspot.com/.

SOBRE O CONCURSO: Pois é...não sei se foram as férias ou as voltas às aulas ou o que...A única coisa que eu sei é que praticamente ninguém se arriscou a descobrir as referências do Mad Tea Party.

Assim, o poster de Harry Potter e as Relíquias Mortais vai para a Anna Telles, que enviou os seus palpites. (Anna, manderei um e-mail em breve para combinarmos como você vai pegar o poster)

Quanto aos demais prêmios, a princípio, estou prorrogando os palpites de vocês até a próxima sexta. Depois disso, se mesmo assim ninguém mais se manifestar, já tenho uma idéia de para quem enviar.

No mais...

*Para quem AINDA quiser participar do concurso, mas pegou o bonde andando, todas as fics do Mad Tea Party podem ser lidas AQUI.

*Para ler as fics da semana clique AQUI.



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